Movido pela fé, Canudos é exemplo histórico do povo sertanejo na luta por melhores dias

Tratar de cangaço


Por Julierme do Nascimento Wanderley



Quando tratamos de cangaço começamos a percorrer um caminho cheio de histórias que nos remete as raízes da formação do povo brasileiro mais intrinsecamente o povo nordestino, povo, esse, que representa o que tem de mais original em todos os sentidos dentro de um arcabouço ético cultural responsável pela formação de um povo aguerrido, adaptável, engenhoso, generoso, desprendido, austero e principalmente esperançoso.


Velha Canudos sempre reaparece quando da estiagem da grande barragem que inundou o vilarejo


A fé é à base da vida de todo aquele que nasce nas regiões acatingadas do nordeste brasileiro, pois a população dessas áreas se assemelha ao meio físico desse lugar, pois os homens e mulheres dessas paragens entram em ebulição com as primeiras chuvas se rejuvenescendo com o rejuvenescer da outrora tórrida paisagem.


Esses homens e mulheres acostumados com as intempéries da vida e do clima renova sua esperança em viver na fartura, mesmo que essa fartura seja efêmera e se orgulha em ver o seu pequeno boiato, seu humilde jumento carregando sobre os seus ombros os produtos de uma labuta hercúlea e bastante desigual, num solo que no frescor do inverno se torna fértil, produzindo todo tipo de alimento desde mandioca passando pela macaxeira, fazendo crescer pés de feijão de todos os tipos, fava, batata doce, inhame, algodão, milho e tanto outros que encher esse povo de felicidade e esperança, surge também ás pastagens que engorda o gado que demonstrando a sua alegria escramuça na forma de saltos e carreiras que cortam essas áreas verdejantes e inebriantes dos sertões nordestinos.


Com o milho abundante fazem-se as comidas típicas que são degustadas no mês de junho dedicado a Santo Antonio, São João e São Pedro santos padroeiros reverenciados por um povo que se apega a fé para suportar as agruras de uma vida abarrotada de percalços que forja como o fogo do ferreiro o seu caráter, as formas de agir e entender o espaço geográfico que o circunda, e como tema constante nas vidas desses gladiadores que se encontram em muitas vezes em situações de extrema desigualdade como um escape provocam levantes, distúrbios, desordens para dizer, estamos aqui e existimos.


O exemplo de tudo isso foi dado em “Canudos”, onde hordas de sertanejos se uniram em torno de um ideal baseado na fé messiânica de um tal “Antonio Conselheiro”, que como tantos nordestinos cansou das espoliações, humilhações, mentiras, vexames, traições e promessas não cumpridas e com isso despertando uma disposição guerreira que como um vulcão adormecido explode em rios de lava incandescente destruindo todo aquilo que está em sua frente.


Julierme Wanderley é professor de Geografia e pesquisador do cangaço, focado na trajetória de Antônio Silvino

Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black