Os Novos Ricos – comédia de costumes de Ednaldo do Egito que marcou o teatro paraibano nos anos 80

Lá pelos idos de março de 1982, eu andava muito contente por fazer teatro Universitário e de protesto com o Grupo de Teatro Ideodrama, idealizado e organizado, inicialmente, pelo dramaturgo e professor de teatro Alarico Correia Neto, quando aconteceu um caso que me deixou mais contente ainda: o monstro sagrado do teatro paraibano, Ednaldo do Egito, me convidou para dirigir uma peça de sua autoria, “Os Novos Ricos” que acabara de escrever e publicara.


Célia Dantas, Ednaldo do Egito e Clémerson Cantalice, intérpretas de "Os Novos Ricos", 1983

- Como assim, Ednaldo?


- Eu escrevi, você dirige, eu cuido da produção, tu cuidas de formar o elenco, me incluindo e também Lucy Camelo e Pereira Nascimento, argumentou o mais icônico dos atores-comediantes do teatro paraibano.


A vontade foi sair correndo até o Grande Ponto, ali pertinho do Núcleo de Teatro da UFPB, por trás da torre da Embratel, um bar que servia de point para jornalistas e atores, dia e noite, não necessariamente nessa ordem.


- Uma comédia de costumes, ambientada em João Pessoa, sobre a classe média pessoense, os “novos ricos de Tambaú e Cabo Branco”, resumiu Ednaldo, grosso modo, o argumento da peça.


Cartazes de peças dirigidas por João Costa exibiam o nome do elenco, uma prática dos anos 80


- E vai dar certo? Eu não sou comediante, ainda argumentei, escondendo a tremedeira dos pés à cabeça.

Não era pra menos, Ednaldo já falava em marcar dias de ensaios no teatro da Juteca, em Cruz das Armas.


- Dirigir comédia não é bicho de sete cabeças, disse Ednaldo.


-Claro! Deve ser mesmo uma barbada pra você.


Não disse isso, mas foi a frase pronta que me veio à mente. Porque eu estava me metendo em companhia de “duas vacas sagradas” do teatro; comecei ali mesmo a entrar no clima, sem nem mesmo ler o texto.


Formar um elenco que não se deixasse tremer como eu contracenando com Ednaldo Lucy, não difícil – o meu grupo de teatro era formado jovens atores e atrizes talentosos, num momento em que já estávamos discutindo nos preparando para encenar “A Mulher Sem Pecado”, de Nelson Rodrigues – peça que estreamos no Santa Roza pouco tempo depois dos “Novas Ricos.

Texto da peça publicado com apoio da antiga DGC e Pró-Reitoria Para Assuntos Comunitários da UFPB


Assim, escalei Célia Domiciano Dantas para interpretar o papel da jovem que se muda de Cruz das Armas, bairro pobre e “provinciano” de João Pessoa e vai morar com sua família e agregados no Cabo Branco, após prêmio ganho na Loteria Esportiva – coisas de Ednaldo.


No teatro da Juteca já atuava Clémerson Cantalice, ideal para fazer o papel do “Galã”, e àquela altura, também fazia parte da “patota” de Ednaldo na condição de pupilo, um jovem ator, procedente de Cajazeiras que se chamava Cristovam Tadeu.

Ensaiávamos na Juteca, mas com pauta marcada no Teatro Santa Roza, onde a peça estreou e fez temporada.


No elenco, Célia Dantas, Clémerson Cantalice, Ednaldo do Egito, Lucy Camelo, Pedro Alves, o veterano Pereira Nascimento e outros.

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