Papa Rabo: 39 anos após encenação da peça, elenco se reúne para releitura no "Agosto das Letras"

Por João Costa


Em 1982 um elenco de 16 atores e atrizes paraibanos se reuniu para a montagem da peça Papa Rabo, a partir de um roteiro cinematográfico de W. J. Solha do romance Fogo Morto, de José Lins do Rego; a peça, acreditem, foi montada para a inauguração do Espaço Cultural e, consequentemente, do teatro Paulo Pontes, com direção de Fernando Teixeira e iluminação de Oswaldo Travassos.


Parte do Elenco original da peça Papa Rabo, se reuniu 39 anos após da montagem da peça


Neste sábado, 07, dos 16 atores e atrizes do elenco original, 8 se reuniram numa sala do Núcleo de Teatro da UFPB para uma releitura da peça. Quatro atores não puderam comparecer: Carlos Valério, Marcus Careca e Cida Costa e Sorriso(que mora em São Paulo). Atores já que faleceram: Divison Delgado, Nargel Domingos, Adalice Costa, Cristovam tadeu e Ednaldodo Egipto.


O caso eu conto como o caso foi – Naquele ano da graça de 1982 sob a direção de Fernando Teixeira a peça ficou pronta, mas a Secretaria de Cultura do Governo do Estado, que havia se comprometido a apoiar a montagem patrocinando o figurino, simplesmente não cumpriu com o que fora acertado e nem a peça inaugurou o teatro Paulo Pontes. O governador era o professor Tarcísio de Miranda Burity.


Mesmo assim o elenco não desistiu, improvisou o figurino, concluiu a montagem e fez longa temporada no teatro Santa Roza. Era o teatro amador da Paraíba no seu melhor momento.


Papa Rabo: da esquerda para direita, Ubiratan Assis, Marcos Careca, Divison Delgado(falecido) e Carlos Valério


Terminada a temporada, o Grupo Bigorna – que congregava o elenco – se reuniu e avaliou que a peça precisava ser mostrada no eixo Rio-São Paulo. E assim, com a arrecadação da temporada realizada no Santa Roza, o grupo empreendeu uma turnê para apresentações em São Paulo e Rio, pagando, diariamente, um cachê individual, o suficiente para café, almoço e jantar.

Em São Paulo a peça fez curta temporada no teatro Eugênio Kusnet e, no Rio, no teatro Glauce Rocha. Terminada a temporada no Rio o elenco se dispersou.


De volta à João Pessoa, não demorou muito para a turnê dar resultado: a peça fora selecionada para participar do Projeto Mambembão, responsável por proporcionar ao teatro “do resto do Brasil” ser mostrado no eixo Rio-São Paulo-Brasília.

E assim Papa Rabo voltou ao Rio e São Paulo para nova temporada, com circuito estendido a Brasília e Vitória do Espírito Santo.


Elenco faz leitura de texto em sala do NTU: máscaras como nova realidade teatral em tempo pandêmico


Pois bem, no próximo dia 17, a Fundação Espaço Cultural vai realizar um evento em homenagem, de novo, a José Lins do Rego, chamado “Agosto das Letras” e vai haver uma leitura-reportagem da peça que seria a de inauguração do próprio Espaço Cultural há 39 anos. Será exibido um vídeo de uma leitura da peça no teatro Santa Roza.


Estiveram reunidos hoje os atores e atrizes: João Costa, Fred Pimentel, Buda Lira, Ubiratan Assis, Lúcio Villar, Margot dos Santos, Eleonora Montenegro e Mônica Macedo, sob a mesma direção de Fernando Teixeira. Para esta leitura, foram convidados os atores Flávio Melo e Eloy.


A organização da empreitada é de Suzy Lopes.


Papa Rabo foi encenada durante o Regime Militar sob forte censura federal, mas de forma contraditória, o próprio Regime de Exceção mantinha projetos de incentivo à cultura que, de fato, integrava o teatro feito fora do eixo Rio-São Paulo ao circuito das grandes capitais.


Hoje, 39 anos depois, o Brasil vive tempos pandêmicos com mais de 500 mil mortos, o negacionismo é uma força poderosa que move parte da Nação, os militares estão de volta ao poder e também a censura; o fascismo governa o país e predomina nas instituições, o fundamentalismo religiosos evangélico de impôs como padrão de moral e, aos poucos, a censura se estabelece no cinema e no teatro.



É uma sensação de Déjà vu, um círculo vicioso que parece consolidar a tese de que “se o Brasil nunca já deu certo antes, porque haveria de dar agora?


Mas o teatro e o cinema paraibanos resistem.


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