Paraíba ganha Centro de Referências da Igualdade Racial em homenagem a João Balula


Em alusão às comemorações pelo Dia da Consciência Negra, a Paraíba agora já dispõe de um Centro Estadual de Referências da Igualdade Racial João Balula, que passa a funcionar na Rua Rodrigues de Aquino, centro de João Pessoa, organismo vinculado ao governo do estado.


João Balula era ator, bailarino e ativista do movimento negro da Paraíba


João Silva de Carvalho Silva – João Balula, começou sua vida artística como ator, na peça “A Donzela Joana”, de Hermilo Borba Filho e direção de Fernando Teixeira.


O apelido “Balula” surgiu por interpretar personagem homônimo do espetáculo, que fez carreia nacional com apresentações no Rio e São Paulo, em 1979.


João Balula além de ator, atuou como carnavalesco da Escola Malandro do Morro, agitador cultural e ativista negro. Faleceu em fevereiro de 2008.


A seguir, o blog publica texto do arte-educador José Newton Silva, publicado transformado em um panfleto, bem ao estilo do próprio João Balula.


João Balula: o negro que chegou nas estrelas


J.N. Silva

João Balula, conhecido pela população da capital João Pessoa, como “Balula” pela sua atuação como mobilizador cultural em vários campos da cultura paraibana.


Transformista, ator, dançarino, carnavalesco e intelectual no ato de fazer projetos culturais, frutos do seu notório saber.

Vivendo no bairro frequentando espaços universitários e da Funjope, tinha ele uma força motivadora para as festas momescas. Pactuava com festas e bailes no Clube Malandro do Morro, manifestações ao ritual da morte de Judas na Semana Santa, sem deixar de falar sobre as escolas de samba da Torre, no Carnaval Tradição de João Pessoa.


Lembro-me muito bem quando fui, na condição de conferencista, ao Congresso Nacional de Arte-Educação, em Salbador-BA, 1983. Lá, observei a participação de Balula no congresso.


Ali estava o Balula mobilizando todo o congresso com suas performances, bailarino e também ator, demonstrando sua arte para os congressistas.


Nos trabalhos de grupos, ali estava Balula opinando sobre a Arte-Educação no Brasil.


A presença de Balula no congresso foi tão forte, que alguns participantes convidados queriam leva-lo ao exterior para demonstrar sua arte fora do Brasil.


O amor de Balula pelo seu estado da Paraíba era tão intenso, que ele não foi, amava João Pessoa, amava o bairro da Torre, trabalhava dia a dia sem ao menos poder alimentar-se corretamente durante a sua vida.


Datilografando textos com alegria e compartilhando conosco opiniões sobre nossa cultura, fazia dele um ser vivo e atuante.

Tempos depois procurei Balula e não o encontrei.



Procurei a Negra Marli, articuladora de cultura negra, professora e artesã.

E ela disse para mim:


- “Balula voou para as estrelas; procure observar a estrela mais brilhante, é ali que ele está”.


José Newton Silva, Educador. 05/10/21


Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black