Patos de Irerê: coito de cangaceiros lendários, cidadela icônica da Guerra de Princesa

Por João Costa


Há um Sítio Histórico essencial para a compreensão do cangaço lampiônico – entre 1920/1928 – na divisa entre Paraíba e Pernambuco, no pequeno vilarejo chamado Patos de Irerê, hoje pertencente ao município de São José de Princesa.

A cidadela foi fortaleza dos domínios do coronel José Pereira e dominada por Marcolino Diniz (sobrinho coronel) coiteiro de Lampião e “senhor da guerra”.


Marcolino Diniz coiteiro de Virgulino Ferreira, "Senhor da Guerra" sob comando do cel. Zé Pereira


Marcolino Diniz teve uma trajetória na História da Paraíba pouco explorada por pesquisadores e historiadores do cangaço e da Revolta de Princesa. Ele foi protagonista polêmico tanto como coiteiro de Virgulino Ferreira Lampião, como chefe militar dos revoltosos de Princesa.


Também comerciante, proprietário de terras, o sobrinho do poderoso coronel José Pereira, foi peça chave na Revolta de Princesa, mas antes desse fato histórico nos conturbados anos 1930, Marcolino esteve associado ao cangaço.


Visita ao casarão de Alexandrina e Marcolino Diniz, palco de combates com as forças do governo


Reza a lenda que o assalto ao município de Sousa(PB), em julho de 1924, Virgulino Ferreira Lampião, convalescendo de ferimentos em um coito em propriedade do Coronel Zé Pereira, nos arredores de Patos de Irerê, despachou 84 cangaceiros sob o comando do seus irmãos, Antônio Ferreira e Levino, para a realização de um saque no município de Sousa(PB).

O saque teria sido planejado sob a coordenação de Marcolino Diniz.



Cofre de Marcolino Diniz, ain

Cofre na casa de Marcolino Diniz, faz parte do móveis na casa da família, em Patos de Irerê



Também como chefe de subgrupo, seguiu Sabino Gomes, ou Sabino das Abóboras, meio-irmão de Marcolino Diniz e o cangaceiro Meia-Noite, lugar-tenente de Virgulino.

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Tal empreitada também embutia dois ajustes de contas com poderosos do Sousa.


Cangaceiro Chico Pereira: conluiu com Lampião e Sabino das Abóboras, meio-irmão de Marcolino Diniz


Para esta finalidade, chefiando outro subgrupo, estava o cangaceiro Chico Pereira ao lado do cangaceiro Paizinho, ambos com contas a ajustar com famílias importantes do lugar inclusive com o juiz da Comarca, Arquimedes Souto Maior.


Versões sobre o saque a Sousa são várias.


Há uma em que o objetivo principal era saquear comerciantes de Cajazeiras(PB), 39 Km de distância de Sousa, concorrentes de Marcolino Diniz, que nesta cidade tinham interesses comerciais; no percurso saqueariam Sousa e ajustariam contas com o juiz da Comarca e com os inimigos do cangaceiro Chico Pereira.


Tal cangaceiro paraibano era herdeiro da fazenda Jacu, ele nasceu lá, em Nazarezinho, um pequeno vilarejo entre Cajazeiras e Sousa; a família de Chico Pereira controlava o barracão de fornecimento para os trabalhadores que construíram a barragem de São Gonçalo, também nas imediações.


Sousa já era um município com 5 mil habitantes; um saque que por orientação de Chico Pereira seria seletivo, tendo como alvos apenas seus desafetos – também comerciantes importantes do lugar – acabou se tornando uma das mais importantes razias do bando de Lampião por conta da fortuna levantada pelos bandoleiros.


O saque a Sousa obrigou ao governo escalar a repressão ao cangaço, fez o coronel José Pereira mudar de atitude de tolerância e associação com o cangaço, tornando-se a partir desse fato, inimigo irreconciliável de Virgulino.


Mas o mote deste artigo é a cidadela de Patos de Irerê, hoje pertencente ao município de São José de Princesa, com algumas casas e a capela bem preservadas, mas com o casarão principal – palco de combates - em ruínas.


Neste Sítio Histórico tem a casa que pertenceu ao cangaceiro Luiz do Triângulo, ex-integrante do bando de Sinhô Pereira e parceiro de Virgulino, outro personagem essencial da Guerra de Princesa como chefe de milícia armada.


No próximo dia 4 de novembro o governo da Paraíba vai inaugurar o Museu Cidade de João Pessoa, localizado na Praça da Independência, no casarão onde residiu o ex-presidente da Paraíba.


Capela de São Sebastião, local dos restos mortais de Xandu e Marcolino está bem preservada


Mas Patos de Irerê é um museu a céu aberto ignorado pelas autoridades que cuidam da preservação dos monumentos históricos do estado.


Não há empenho governamental em preservar esse importante sítio histórico em Princesa Isabel e arredores.


A casa de Xandu e Marcolino, em Patos de Irerê, coito de Virgulino Ferreira lampião


Mas eles estão lá e precisam ser revitalizados, não importam os ressentimentos políticos e sociais que ainda influenciam nos relatos da Guerra de Princesa.


Por fim, um agradecimento ao historiador Emanoel Arruda por nos ciceronear em Princesa Isabel e arredores e suas explicações essenciais para a compreensão dos acontecimentos que antecederam a chamada revolução de 30.


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