Rapto da menina Suçuarana por Corisco tronou-se fato icônico na historiografia do cangaço

Corisco e o pai da menina Suçuarana (Parte 4)


Cristino Gomes, Corisco, para alguns pesquisadores era desprovido de “inteligência emocional” – incapaz de regular suas emoções, como raiva e fácil de se deixar levar; exemplo: em função dessa fraqueza, foi enganado pela leviandade sinistra de Joca Bernardo e levado a chacinar a Família de Domingos Ventura, na Fazenda Patos, em agosto de 1938.


Mas antes, em 1928, Corisco começava a ganhar notoriedade como bandoleiro quando desembarca no sítio de sua tia, conhecida como “Maria Quileto”, mãe de vários filhos, entre eles, Emídio que respondia pela alcunha de Beija-Flor e João, que não era cangaceiro, mas acabou preso e torturado pela polícia sob a acusação de roubo de animais.

Ao visitar a tia “Maria Quileto”, Corisco a encontra fragilizada e ávida por reparação pelo espancamento do filho. Não foi difícil “envenenar” a cabeça do sobrinho.


- Foi Vicente Ribeiro, foi ele quem entregou meus filhos; procure Vicente e lhe aplique um corretivo”, pediu “Maria Quileto”.


Corisco(E), Dadá e bando no Raso da Catarina, em 1937, tendo a cachorra Jardineira à frente


Vicente Ribeiro costumava dar abrigo a bandos de cangaceiros em passagem pela sua propriedade, a exemplo dos “Irmãos Engrácia”, inclusive Corisco, que já se escondera sob proteção de Vicente. E este coiteiro, Vicente Ribeiro, vinha a ser nem mais nem menos, o pai da menina Sérgia Ribeiro.

No período em que estivera refugiado na propriedade de Vicente, Cristino Gomes “pediu a mão da menina” em casamento.

- Não case a menina com ninguém viu, seu Vicente. Eu quero casar com ela, teria dito Corisco numa conversa amistosa, aparentemente sem muitas conotações.


Mas desta feita, influenciado pela tia “Maria Quileto”, Cristino aportara no sítio de Vicente para uma conversa muito séria, pouco amistosa; estava ali para aplicar-lhe um corretivo a pedido da sua tia.


O seu Vicente não era um delator como dissera “Maria Quileto”, e convence Cristino, que transfere suas suspeitas para a delação dos filhos de “Maria Quileto”, para dois irmãos conhecidos como Cazuza e Francelino residentes naquela localidade.

Quando o dia amanhece na propriedade dos irmãos, Corisco os encontra no curral para ordenha das vacas. Reportam que não houve conversa nenhuma na ocasião.

Pou!


Cazuza leva um tiro de mosquetão disparado por Corisco à curta distância.


O tiro varou o ouvido esquerdo e Cazuza tomba com a cabeça dentro de uma cuia de Leite.


Feliciano, um irmão de Cazuza, reage e leva um tiro de “Beija-Flor”, que erra o alvo. Feliciano enfrenta o cangaceiro no braço e com muita disposição e ferocidade enche “Beija-Flor” de sopapos.


Corisco vai em socorro de “Beija-Flor” com seu longo punhal cabo de prata. Feliciano é cabra despachado e brigador, se livra do primeiro golpe, depois de outro, mas Corisco aplica-lhe uma punhalada no pescoço, um golpe que varou até a boca.

Gravemente ferido, Feliciano procura e consegue escapar do assédio mortal de Corisco.


Ensandecido, Corisco não tinha terminado sua escalada violenta. Volta ao povoado da Baixa, desta feita com disposição para penalizar o seu Vicente, pai da menina Sérgia, que tinha levado na brincadeira aquela conversa de “não case a menina Sérgia com ninguém”.


Corisco poupa vida do coiteiro que já havia lhe dado abrigo algumas vezes, mas está decidido a raptar a manina Sérgia, que devido ao seu temperamento arredio e também explosivo, já era chamada carinhosamente pelos familiares e vizinhos de Suçuarana.


A menina tinha apelido de cobra, olhar dissimulado, magrinha que só um graveto e que deslizava com rapidez pelo terreiro para uma moita próxima sempre quando chegava estranhos.


Sérgia Ribeiro, Dadá, em fotografada durante entre vista para revista Realidade


Aqui começa a cavalgada da garota Suçuarana e seu raptor, Cristino Gomes. Esta garota simplesmente se tornaria a Dadá, de Corisco. Mas isso fico devendo para outra conversa.


João Costa. Siga @joaosousacosta

Foto do bando de autoria de Benjamim Abraão.

Fonte de consulta: Corisco – a Sombra de Lampião, de Sérgio Augusto de S. Dantas

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