Rastejador: Essencial na caçada aos cangaceiros ou o alvo principal do tiro disparado "de ponto"

Antônio Joaquim dos Santos –Badoque, famoso e experiente rastejador das volantes nazarenos, ingressou na “vida da espingarda” com a família Nogueira, de Serra Vermelha, e de José Saturnino, da fazenda Pedreira. Ele tomou parte nos primeiros combates aos irmãos Ferreira na região do Pajeú, o que o transformou em inimigo de Virgulino e Antônio Ferreira.

Badoque formou quadro com as volantes nazarenas exercendo a mais perigosa das funções militares da época: rastejador. Por ato de bravura na guerra ao cangaço, foi promovido ao posto de Anspeçada (patente militar superior ao soldado e inferior a cabo) e, ao final da vida de militar, foi para reforma como sargento.


Imagem: formação da primeira volante dos nazarenos - os inimigos de Lampião


A principal escalada de Badoque como homem de vanguarda de volante, ocorreu em 1925, na região Ribeira do Cipó à frente da Força de Nazaré. Os nazarenos estavam ávidos para dar cabo de Lampião e seu bando. Como rastejador, empreendeu obstinada perseguição ao bando de Lampião, que seguia em marcha batida para Betânia.


A tática de Lampião era caminhar pela caatinga ziguezagueando, mudando de rota o tempo todo: ora deixava rastros indicando estar rumo à Vila Bela, algumas léguas adiante alterava o percurso para Betânia, de tal maneira que deixava os nazarenos desnorteados; longe de fontes de água, às vezes caminhando em círculo. Em situações assim, a confiança da tropa recai no trabalho do rastejador.


Badoque; rastejador da volante dos nazarenos, dominava a caatinga e tornou-se inimigo dos irmãos Ferreira


Badoque - o rastejador, não se exasperava. O bando de Lampião, nesta perseguição, adotava táticas novas. “para não deixar vestígios, dois cangaceiros pisavam exclusivamente por cima das pedras, para confundir e não deixar rastro, enquanto uns cangaceiros seguiam a frente, outros deixavam marcas fingindo que estavam de volta, outros cangaceiros andavam de lado e quando encontravam um lajedo, seguiam por cima do mesmo”.


Tudo para confundir Badoque, que na vanguarda, esperava pela tropa.


- Vamos embora que os bandidos passaram por aqui, vão ali, estão perto, daqui a pouco vamos brigar! Alertava o experiente rastejador.


Sem os bandidos ao alcance, marcha batida em mato fechado e sem muita visão, a tropa passou a desacreditar no seu homem de vanguarda, de quem dependiam todas as esperanças para surpreender, cercar e eliminar o bando de Lampião.


-Vamos em frente, me sigam e tomem cuidado, era a reação do rastejador.


Após dias, noites de fome e sede, a tropa era advertida.


- Preparem porque a hora da onça beber água chegou! Era o aviso final e fatal de Badoque.


Entretanto, Lampião sempre adotara uma ática de guerrilha: combater e retirar-se, sabendo em desvantagem. Por outro lado, alguns pesquisadores apontam para o comportamento açodado das volantes nazarenos, como fator prejudicial do ponto de vista militar, apesar de lutarem com bravura.


Antônio Joaquim dos Santos – O rastejador, criou em torno de si uma aura de admiração e respeito pelas volantes.

- Badoque “adivinhava, tinha algo de sobrenatural no seu comportamento, era inacreditável, mas o rastejador tinha um grande mistério, uma capacidade extraordinária para retomar o fio da meada dos cangaceiros em fuga”, narra o ex-volante João Gomes de Lira.


Nas fazendas, vilas e cidades onde a tropa arranchava, Badoque não escondia sobre suas preferências para trabalhar e guerrear.


- Dá gosto trabalhar com a Tropa de Nazaré. Se eu cair ferido, pois sou o homem de linha de frente, tenho certeza que os nazarés não vão me deixar para trás para ser sangrado por Lampião!


Na guerra ao cangaço o trabalho do rastejador era essencial. Homem de linha de frente, era o que ficava exposto a um tiro de ponto - o tiro de fuzil de longa distância. O rastejador precisava ser conhecedor profundo do bioma caatinga, seus riachos, rios, locais de fontes de água; distinguir aromas das vegetações e o canto dos pássaros. Badoque foi o rastejador famoso dos nazarenos.


Tenente Zé Rufino(E) e seu rastejador Juriti(D) líderes da volante com mais vitórias sem conseguir matar Lampião


Já o implacável tenente José Rufino (outro de origem pernambucana), lendário perseguidor de cangaceiros, era meticuloso e frio. Tem na conta de sua volante a morte de mais de 40 cangaceiros. Rufino trabalhava em parceria com o rastejador Juriti, que após o cangaço tornou-se seu o homem de confiança e segurança particular.

Foto . Badoque. Foto 2. Zé Rufino e Juriti, Jeremoabo Agora


Força Volante de Nazaré-PE, Gervásio de Souza Ferraz, Raul Ferraz, Manoel Concórdio, Antônio de Belo, Olegário Pereira. Fazenda Curral Novo, Floresta-PE (Acervo de Célia Maria)


Fonte. “Lampião – Memórias de um Soldado de Volante”, Vol. 2. João Gomes de Lira

Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black