Rota do Cangaço na Paraíba: coito de Lampião na Fazenda Prata segue intacto, em Patos de Irerê

João Costa


Na historiografia do Cangaço, há um período que vai de 1918 a 1928, em que reportagens ou escritos sobre o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva Lampião e seus irmãos Levinho, Antônio Ferreira e Antônio Rosa se apresentam com lacunas, obscurantismos e de tremenda preciosidade para a história política do Nordeste e sua inserção na História do país.



Sabe-se que as relações sociais de Lampião com políticos, clérigos, latifundiários e comerciantes eram amplas e, na expressão atual, pragmáticas, que retroalimentavam o cangaço com armas, dinheiro e importância.


A trajetória de Lampião e seu bando recebeu atenções apuradas após o bando deixar para trás Pernambuco, Paraíba e Ceará. Ao atravessar o Rio São Francisco e ingressar na Bahia, Virgulino deixou para trás família, coalizões políticas e sociais.

Injunções políticas e militares levaram a isso. Em 1928 o coronel Arlindo Rocha foi a Vila de Pau Ferro, município de Água Belas, à frente sua última missão: desta feita não mais com fuzil na mão, mas à frente de uma missão de inteligência por demais secreta.


Um encontro decisivo entre Arlindo Rocha, enviado do governo, e o coronel Francisco Martins Albuquerque, coiteiro de Lampião e chefe político.

Arlindo Rocha estava em companhia de um tal Paulo Lopes, conhecido como Sebasto, o primo queridíssimo de Virgulino Ferreira da Silva. Rocha vai direito ao assunto porque ele sabe que o teor da conversa travada ali chegaria aos ouvidos de Lampião, “mais rápido que ligeiro”, na linguagem sertaneja.


Vista da Fazenda Prata, do cel. Marçal Diniz, divisa entre Paraíba e Pernambuco; rota de Lampião


- Estou aqui em missão secreta designada pelo chefe-geral da Polícia. Este aqui é Sabasto; levem-no até Lampião com o ultimato: ele deve se entregar e ser recambiado com segurança para Cadeia do Recife, ou deve deixar o estado de Pernambuco.


O resultado dessa reunião ocorreria dias depois. Em agosto, informantes reportavam uma visita de despedidas feita por Lampião a uma irmã que residia nas proximidades de Pedra de Delmiro e vem a público o teor de um telegrama da Polícia de Floresta para o chefe de polícia, em Recife.


“Comunico vossência que bandido Lampião, companhia cinco comparsas bastante municiados, dia 19 corrente atravessou rio São Francisco, proximidades de Sobrado, município Tacaratu, destino estado da Bahia. Saudações, Augusto Ferraz, delegado de Polícia.


Arlindo Rocha não capturou nem matou Lampião como pretendia, mas foi diretamente responsável pelas articulações de bastidores que levaram Virgulino Ferreira a abandonar Pernambuco e Paraíba, obrigando-o a atravessar o rio São Francisco em direção a Bahia.


A partir do ingresso na Bahia, o cangaço ganhou nova formatação, admitiu mulheres no bando, adotou vida sedentária mesclada com a violência das ações. Dezenas de livros e recortes de jornais tratam desse período que vai de 1928 a 1938 com o fim do cangaço na Grota de Angicos. Mas poucos se reportam às ações do bandoleiros em terras paraibanas, por exemplo.


Visita ao casarão do coiteiro Marçal Diniz, zona rural de Patos de Irerê(PB), fazenda Prata


O foco inicial deste artigo era a trajetória de Virgulino antes de tornar-se capitão Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião.

E para tanto, ou para um pouco, o autor do artigo buscou ajuda e obteve de dois historiadores abalizados sobre o cangaço, Emanoel Arruda e José Tavares. A Emanoel Arruda, meu agradecimento por apontar e ciceronear na região de Patos de Irerê, distrito de S. José de Princesa, incluindo a Fazenda Prata, casa do coiteiro Marçal Diniz, local onde Lampião se deixou fotografar pela primeira vez no comando do bando..


Fonte: "Apagando o Lampião", de Frederico Pernambucano de Mello.



Por Trás do Blog
Leitura Recomendada
Procurar por Tags
Siga "PELO MUNDO"
  • Facebook Basic Black
  • Twitter Basic Black
  • Google+ Basic Black