Rota do Cangaço: prof. Pereira explica e refaz os passos de Sabino Gomes no ataque a Cajazeiras

Cajazeiras, considerada a cidade quem ensinou a Paraíba a ler, também faz parte da rota do cangaço – e com bravura.

É que esta cidade foi alvo de um ataque fracassado de cangaceiros em 28 de setembro de 1926, liderado pelo bandoleiro Sabino Gomes, ou Sabino das Abóboras, que se tornaria braço direito de Lampião nos estados do Ceará e Paraíba.


O professor Pereira, livreiro e pesquisador do cangaço, refaz nesse post os passos do cangaceiro no fracassado ataque a Cajazeiras, em 1926.


Fotomontagem: Sabino Gomes(E) e Virgulino Ferreira Lampião


Mas quem foi Sabino Gomes e qual sua relação com Cajazeiras?


Bem. Sabino Gomes havia morado e trabalhado na cidade como segurança de um armazém de produtos agrícolas, pertencente a Marcolino Diniz, sobrinho do famoso coronel José Pereira.


Professor Pereira também é livreiro comercializa títulos raros sobre História do Nordeste e cangaço


Os historiadores hoje são unânimes em afirmar que Sabino Gomes, além de segurança de Marcolino Diniz era seu meio-irmão.


O pai de Marcolino, o coronel Marçal Florentino Diniz, dono da fazenda Abóboras manteve uma relação amorosa com a cozinheira da fazenda, e dessa relação, nasceu Sabino.


Sabino nasceu na cidade de Misericórdia, Paraíba, hoje Itaporanga. Em 1915, mudou-se para o município de Triunfo, onde passou a trabalhar com o coronel Marçal, seu pai natural, dono da Fazenda Abóboras, em Serra Talhada, na divisa com a Paraíba daí o ele ter adotado o nome da fazenda como seu sobrenome.


Segundo o historiador Bismarck Martins, “por sua valentia e disposição para o combate, logo passou a liderar a jagunçada do seu meio-irmão Marcolino Diniz.


Incrível, mas por influência do seu pai, coronel Marçal, chegou a ser Comissário de Polícia do povoado Baixa Verde, onde devida a sua truculência, fez muitas inimizades. Devido a isso, mudou-se para Princesa Isabel, onde foi trabalhar para o coronel Zé Pereira, mantendo vidada dupla: atuava como com vaqueiro e, à noite, praticava assaltos, até se associar a Virgulino Lampião, a partir de 1923.


Sabino veio para Cajazeiras para dar cobertura ao meio-irmão Marcolino Diniz. E em 1926, voltou à cidade para saqueá-la motivado por vingança, contra policiais que o haviam emboscado.


Sabino entrou na cidade e, logo de início, assassinou duas pessoas: ao chegar nas proximidades do comércio, a surpresa: 25 cidadãos esperavam o bando Sabino formado por 11 cangaceiros.


O tiroteio foi infernal. Sabino logrou êxito na sua vingança matando o soldado Lourenço, o mesmo que o emboscara, incendiou algumas residências e desapareceu no oco do mundo sem saquear o comércio.



Grato ao Prof. Pereira, livreiro e pesquisador do fenômeno cangaço por atuar gentilmente como nosso “rastejador” e narrador na rota do cangaço, em Cajazeiras. Ele vende livros pelo WhatsApp (83)99911 8286.