Sem preservação por parte do governo, cidadela palco da Guerra de Princesa segue ignorada

João Costa


Marcolino Diniz teve uma trajetória na História da Paraíba pouco explorada por pesquisadores e historiadores do cangaço e da Revolta de Princesa. Ele foi protagonista polêmico como coiteiro de Virgulino Ferreira Lampião, da mesma forma como chefe militar dos revoltosos de Princesa. Na cidadela de Patos de Irerê(PB), há um sítio histórico essencial para a história da Guerra de Princesa, mas que autoridades governamentais ignoram e se negam à reponsabilidade de preservá-lo.


Casarão de Marcolino Diniz, palco de combates na Guerra de Princesa, em fevereiro de 1930


Comerciante, proprietário de terras, sobrinho do poderoso coronel José Pereira, foi peça chave na Revolta de Princesa , mas antes dessa fato histórico nos conturbados anos 1930, Marcolino esteve associado ao cangaço.


Reza a lenda que o assalto ao município de Sousa(PB), em julho de 1924, Virgulino Ferreira Lampião, convalescendo de ferimentos em um coito em propriedade do Coronel Zé Pereira, despachou 84 cangaceiros sob o comando dos irmãos Ferreira, Antônio Ferreira e Levino, para a realização de um saque no município de Sousa(PB).


O saque teria sido planejado sob a coordenação de Marcolino Diniz e de Lampião, que não pode participar..


O cofre na casa de Marcolino, objetos histórico e que serve a muitas narrativas


Também como chefe de subgrupo, seguiu Sabino Gomes, ou Sabino das Abóboras, meio-irmão de Marcolino Diniz e o cangaceiro meia-Noite.


"Palacete" da família Pereira, que serviu de Hospital de campanha na Guerra de Princesa


Tal empreitada também embutia dois ajustes de contas com poderosos do lugar.


Com esta finalidade, chefiando outro subgrupo, estava o cangaceiro Chico Pereira ao lado do cangaceiro Paizinho, ambos com contas a ajustar com famílias importantes do lugar e, até, com o juiz da Comarca.



Versões sobre o saque a Sousa são várias


Há uma em que o objetivo principal era saquear comerciantes de Cajazeiras(PB), concorrentes de Marcolino Diniz, que nesta cidade tinha interesses comerciais; no percurso saqueariam Sousa e ajustariam contas com o juiz da Comarca e com os inimigos do cangaceiro Chico Pereira.


Casa de Marcolino Diniz e Alexandrina Diniz, um coito seguro para Lampião jogar baralho e descansar


Sousa já era um município com 5 mil habitantes; um saque que por orientação de Chico Pereira seria seletivo, tendo como alvos apenas seus desafetos – também comerciantes importantes do lugar – acabou se tornando um das mais importantes razias do bando de Lampião por conta da fortuna levantada pelos bandoleiros.


Relatam que os bandoleiros realizaram estupros em massa. Cerca de 300 mulheres foram vítimas.


O saque a Sousa obrigou ao governo escalar a repressão ao cangaço, fez o coronel José Pereira mudar de atitude de tolerância e associação com o cangaço, tornando-se a partir desse fato, inimigo irreconciliável de Virgulino.


Casa do cangaceiro Luiz do Triângulo, um dos chefes militares da milícia armada do coronel Zé Pereira


Mas o mote deste artigo é a cidadela de Patos de Irerê, hoje pertencente ao município de São José de Princesa, com alguns casas e a capela bem preservadas, mas com o casarão principal em ruínas.


Foto em exposição no "Palacete" da família Pereira, em Princesa Isabel(PB)


Não há empenho governamental em preservar esse importante sítio histórico em Princesa Isabel e arredores.


Mas eles estão lá.


Nossos agradecimentos ao historiador Emanoel Arruda por ciceronear e orientar nossa equipe.


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